Testo Poluição atmosférica pode modificar o DNA dos paulistanos

Poluição atmosférica pode modificar o DNA dos paulistanos

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São Paulo – A ciência já comprovou que a poluição atmosférica faz mal para a saúde. Mas, agora, pesquisadores brasileiros detectaram pela primeira vez uma modificação no DNA humano causada pela presença de elementos químicos encontrados na fumaça do cigarro e nas emissões de gases dos veículos de São Paulo.

Os elementos encontrados na poluição são dois aldeídos: acetaldeído e crotonaldeído. “Eles são mutagênicos e podem levar ao desenvolvimento de câncer”, afirmou a INFO a professora Marisa Helena Gennari de Medeiros, do Instituto de Química (IQ) da USP.

O grupo de cientistas envolvidos no estudo faz parte de uma rede paulista financiada pela Fapesp e da rede nacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

Para chegar nessa conclusão, Marisa e sua equipe fizeram um levantamento e analisaram a urina de 82 pessoas. Dessa total, 47 eram residentes na cidade de São Paulo e outros 35 eram moradores de São João da Boa Vista, município no interior do estado.

Após os testes, os cientistas perceberam uma diferença significativa entre os dois grupos. Os moradores da capital paulista apresentaram uma maior concentração de adutos, que é o resultado da reação dos aldeídos com o DNA.

“O organismo tem sistemas de defesa que reparam as lesões no DNA. O problema é quando o nível de lesões ultrapassa a capacidade do sistema de reparo, ou em indivíduos que tem alguma deficiência nesses sistemas”, diz Marisa.

Ao entrar em contato com o organismo, os aldeídos se ligam à estrutura do DNA e a modificam. Mas as enzimas protetoras dessa estrutura fazem um corte na modificação feita pelos aldeídos. Assim acontece o reparo, que acaba sendo eliminado pela urina. Mas se o dano causado ao DNA não for reparado pode levar a uma mutação e ao câncer.

O uso urina como biomarcador (molécula que indica mudanças nos sistemas biológicos) para esse tipo de estudo é um dos diferenciais da pesquisa. Esse exame é útil justamente porque as substâncias descartadas na urina são produto desse reparo do DNA.

O exame de urina fornece uma boa possibilidade de monitorar a exposição da população a aldeídos presentes na atmosfera. Essa pode ser, portanto, uma ótima ferramenta na região de São Paulo, onde a frota veicular é imensa e os aldeídos presentes na atmosfera oferecem um grande risco para a saúde da população.

A ideia é, daqui pra frente, ampliar o estudo para analisar e comparar amostras de urina de moradores de diferentes bairros na cidade de São Paulo e de diferentes cidades. Segundo o estudo, o monitoramento pode fornecer informações para a formulação de políticas públicas que reduzam os efeitos nocivos da poluição atmosférica.

“A melhor forma de se prevenir desse tipo de mudança do DNA é não se expor. O governo deve ter políticas de controle rígido do nível de poluentes”, diz.

Fonte: Vanessa Daraya, de INFO Online Exame.com