Testo Os Desafios do Mercado Brasileiro de Gás Natural

Os Desafios do Mercado Brasileiro de Gás Natural

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O mercado de gás natural passa por uma revolução no mundo com a produção competitiva de reservas de gás não convencional, por meio da utilização de novas tecnologias de perfuração, que tornaram viáveis reservas antes conhecidas e ainda não exploradas, notadamente nos Estados Unidos. Hoje, o mundo já conhece mais reservas provadas de gás natural do que reservas provadas de petróleo em energia equivalente, quadro que se acentuará nas próximas décadas. Essa corrida do ouro apenas está começando.

Empresas tradicionais como Shell, já produzem, hoje, mais gás natural do que petróleo em barris equivalentes, sinalizando uma revolução no campo energético, com mudanças drásticas na matriz de produção de energia elétrica até o setor de transportes, onde caminhões leves e pesados começam a circular com gás natural em vez de diesel nas estradas americanas.

Estas mudanças atingem também o setor químico e petroquímico, já que o gás natural é matéria-prima para a produção de químicos básicos fundamentais, como a amônia, o metanol, o eteno e o hidrogênio, viabilizadores de cadeias de produtos que atingem os segmentos mais importantes do setor produtivo industrial e agrícola.

O Brasil, país que passou muitos anos deslocado deste movimento, com um setor de gás natural pequeno, concentrado e pouco competitivo, vê-se frente a uma revolução que está mexendo com o crescimento econômico e as perspectivas futuras das nações industrializadas. Não podemos ficar fora desta revolução, o que exigirá fortes e profundas mudanças estruturais nesta indústria, no Brasil.

Neste texto, descortinamos a situação atual e as perspectivas deste setor no mundo e no Brasil e concluímos com propostas factíveis de política energética que possam alterar a dinâmica competitiva do gás em nosso País, para que possamos participar da revolução chamada pela Agência Internacional de Energia (AIE) de a “Era de Ouro” do Gás Natural.

Mercado Mundial de Gás Natural

O mercado mundial de gás natural tem apresentado crescimento significativo tanto na oferta quanto na demanda. Em 2011, o gás natural representou 24% da matriz mundial de energia primária. As projeções de demanda das fontes de energia no mundo mostram que o gás natural será a que mais crescerá até 2035.

Conforme avaliação da AIE, o setor termoelétrico será o grande impulsionador da demanda mundial de gás natural.

O Shale Gas americano está sendo o responsável pela mudança no cenário do mercado mundial de gás natural. O esgotamento das reservas americanas de gás convencional obrigaram os Estados Unidos (EUA) a importar cada vez mais Gás Natural Liquefeito (GNL). Shale Gas ou gás de folhelho é um dos tipos de gás não convencional, assim chamado porque as técnicas de recuperação são diferentes das usuais, devido às características próprias das rochas onde se encontram o óleo (Shale Oil) e o gás natural. Normalmente, são rochas de baixa permeabilidade que tornam difícil a extração dos produtos. Os outros tipos conhecidos de gás não convencional são o Tight Gas/Oil (gás ou petróleo de reservatórios de baixa permeabilidade) e o Coal Bed Methane (gás das camadas de carvão).

A perspectiva de dependência de importação de gás nos Estados Unidos, a partir da queda de produção das reservas tradicionais, e a existência de reservas abundantes de gás não convencional incentivaram o desenvolvimento de tecnologias de extração a custo competitivo. Os EUA possuem um aspecto muito favorável que é sua logística e infraestrutura de petróleo e gás bastante desenvolvidas. Somam-se a tudo isso, o incentivo do governo à produção desse tipo de gás e petróleo, a facilidade de negociação direta com proprietários das terras (direito sobre o subsolo é do proprietário das terras nos EUA) e linhas de crédito para os produtores de pequeno porte.

A produção do gás não convencional já está influenciando positivamente o balanço de oferta e demanda de gás natural e petróleo nos EUA, porém, algumas questões ambientais e tecnológicas ainda estão em discussão. De qualquer modo, a consolidação do Shale Gas, associado ao Shale Oil, torna os EUA um país com potencial para exportar gás natural e para ser autossuficiente em energia em um horizonte de 20 anos.

Fonte: Marco Tavares http://interessenacional.uol.com.br/