Aplicações termográficas na manutenção. Onde normalmente erramos!

Aplicações termográficas na manutenção. Onde normalmente erramos!

Falar da termografia como uma técnica poderosa na predição de falhas funcionais e acidentes da indústria não é uma tarefa tão difícil, pois diferentemente de outras técnicas, como análise de vibração, o produto final de uma inspeção termográfica é conceitualmente entendido como auto-explicativo.

Onde aplicar a termografia na indústria?

Instalações elétricas

Pelo fato de ser a temperatura a principal variável detectável no processo de falha de uma instalação elétrica, é onde está concentrada a maior aplicação da termografia na área industrial.

Uma inspeção termográfica em instalações elétricas identificará problemas causados pelas relações corrente/resistência, normalmente provocados por conexões frouxas, corroídas, oxidadas ou por falhas do componente em si. Além disso, erros de projeto, falhas em montagens e até o excesso e/ou falta de manutenções preventivas podem provocar sobreaquecimento nos sistemas elétricos.

Máquinas elétricas

Em motores, geradores e transformadores, a termografia deve ser aplicada de forma correlacionada com outras técnicas. Para os diagnósticos de falhas potenciais elétricas, a termografia infravermelha parte do princípio de que a potência de tais máquinas que não saem na forma de serviço, de alguma maneira está se transformando em perdas e sendo dissipada no meio, através de efeito joule. Estas análises termográficas são tanto qualitativas como quantitativas e permitem ao usuário acompanhar o envelhecimento da máquina, bem como diagnosticar outras falhas decorrentes de curto circuito parcial entre espiras, falha parcial de isolação, refrigeração etc.

Conjuntos rotativos

As inspeções em equipamentos rotativos utilizando a termografia infravermelha aplicam-se em todo e qualquer equipamento onde a temperatura é uma variável mensurável num processo de análise de falha.

Esta aplicação parte do princípio de equilíbrio dinâmico e térmico dos conjuntos de peças giratórias e fixas e é explicada pelas leis da mecânica de fluidos e de transmissão de calor. O aquecimento normal resultante do funcionamento de um equipamento rotativo é função da pressão de trabalho, da velocidade de deslizamento, do coeficiente de atrito das superfícies e da viscosidade do lubrificante. O calor gerado é dissipado pelos processos de condução, convecção e radiação. Desta forma, numa condição normal de funcionamento, o conjunto trabalha em equilíbrio térmico entre o calor gerado e o retirado. Caso haja desequilíbrio térmico ou um equilíbrio em níveis superiores ao de projeto, numa situação em que o sistema de refrigeração esteja normal, é possível, através de análises termográficas qualitativas e/ou quantitativas associar tal irregularidade a uma geração maior de calor, o que de forma geral, representa um provável problema.

Como exemplo de aplicação, temos mancais, acoplamentos, polias, transportadores, roletes, bombas, ventiladores, compressores etc. O valor agregado na aplicação da termografia em inspeções de equipamentos rotativos está basicamente na indicação instantânea, clara e exata da área com problemas. Outras técnicas de inspeções, tais como análise de vibração e ultra-som ou ferrografia devem ser utilizadas num processo integrado de análise por multi-parâmetros, com o objetivo de se encontrar e/ou comprovar a causa do problema.

Os benefícios econômicos da termografia

Ainda é comum tratar a detecção de um ponto sobreaquecido como retorno do investimento, utilizando-se o argumento de que se o mesmo não fosse detectado a tempo, poderia ter provocado uma falha e/ou acidente. Entretanto, se fizermos uma análise crítica da anomalia, possivelmente vamos concluir que o que prevaleceu foi o fator sorte, pois as temperaturas já estavam acima de uma zona de previsibilidade de degradação do objeto.

Nestes casos, o recomendado é caracterizar esta anomalia como perdas evitadas e não retorno de investimento e estudar o que mudou e quando mudou para ter provocado este sobreaquecimento. Agora, se você quer de fato retorno de investimento com termografia, trabalhe sobre o risco em potencial, que assim terá argumento técnico convincente para negociar a redução do custo anual com a seguradora!

Como estamos medindo a eficácia dos planos de inspeção termográfica?

Organizações que utilizam a quantidade de pontos detectados ao final de cada inspeção termográfica como fator de medição de eficácia dos planos de inspeção termográfica, estão trabalhando sob dados vulneráveis e facilmente manipuláveis.

Uma maneira de comprovar isso é fazer um teste de repetição com dois termografistas numa mesma rota de inspeção termográfica e veja as discrepâncias.

Acesse: http://www.testo.com.br/index.jsp